quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A Inocente


Estamos no fim da 2ª Grande Guerra e a Alemanha está a ser bombardeada e tomada pelas forças Aliadas. Até aqui tudo vulgar, mas estes autores quiseram mostrar um lado raramente falado ou relatado desta invasão. Afinal, como em qualquer invasão, e sobretudo depois da brutalidade nazi nos países invadidos por estes, todos estes "libertadores" se portaram à altura... pilhagens, violações, etc. É lógico que esta é uma faceta da invasão da Alemanha Nazi que muito raramente se fala, por duas razões principais: os crimes de guerra Nazis foram tão hediondos que "abafam" completamente qualquer "mau comportamento" das tropas Aliadas, e também porque se quer sempre valorizar a parte positiva da acção dos exércitos responsáveis pela aniquilação do regime Nazi, dando um ar mesmo "cavalheiresco" nalguns documentários e crónicas da época... é claro que houve de tudo, sobretudo quando o espírito de vingança estava muito presente (sobretudo no lado Soviético, cujo país foi posto a ferro e fogo mais do que qualquer outro...) .
Eric Warnauts e Raives contam uma estória passada durante este tempo de transição e convulsão política, desde a entrada Norte-Americana, o bloqueio Soviético a Berlin e do Tribunal de Nuremberga. Este é um trabalho completo deste dois autores de BD, o argumento é de Eric Warnauts, o desenho é de Eric Warnauts / Raives e a coloração é de Raives.
Nina Reuber, que fazia parte de uma associação feminina de jovens Nazis, é convencida a fugir pela sua amante Lisel. Esta corta-lhe o cabelo e fornece-lhe roupa de rapaz, para evitar as violações pelos soldados invasores. Nina é apanhada por uma companhia do exército Norte-Americano, e não desconfiando do seu verdadeiero sexo, é usada como intérprete... Assiste impotente a violações e pilhagens perpetrados pelos soldados, mas ganha um amigo e protector: Jones. A curiosidade é que este é negro! Devido a um descuido seu, o seu verdadeiro sexo é descoberto, mas Jones salva-a de mais problemas. Durante o caminho para Berlim, conhece um jovem soldado alemão, Wim, do qual leva um recado para a sua família. Como recompensa esta família arranja-lhe trabalho com uma jornalista francesa. Quando Wim sai da prisão tornam-se amigos íntimos, e é aqui que o lado mais negro do pós-invasão/libertação chega ao conhecimento de Nina, o contrabando e o mercado negro, sobretudo de penicilina...
É uma estória recheada de momento politicos importantes, de desespero e de um triângulo formado por três mulheres (Nina, Bénédicte e Else) com os seus desgostos e desencontros (ou encontros) amorosos!

Softcover
Criado por: Eric Warnauts e Raives
Editado em 1992 por Meribérica
Comprado no Miau
Nota: 9 em 10

16 comentários:

  1. É sempre bom ver outro lado da mesma história, e este parece ser um bom livro, a arte está excelente, só por curiosidade quanto lhe davas de 0 a 10?

    fica bem

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  2. Radjack
    O que tu queres dizer com "de 0 a 10"?
    :)
    Dou 9 que é o que lá está. primeiro dei 8,5 mas depois passei a 9.
    É claro que por vezes eu dou 10 ou mais de 10, mas isso é para livros que por um motivo ou outro me deslumbraram. E como consequência de eu poder dar mais de 10, os restantes livros considerados bons também se chegam mais ao 10.
    Como eu já disse:
    0 a 3 - Intragável
    4 a 6 - Mau
    7 a 8 - é de ler
    9 a 10 - Bom livro
    10 até infinito - Imprescindível

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  3. Viva, muito interessante esta tua sugestão de leitura. Desconhecia por completo este álbum, que pelos visto é "one-shot" ou não? Não obstante não ter ficado muito impressionado com a arte nas pranchas que publicaste, o argumento parece-me muito bom, até porque em qualquer guerra não há lados inocentes. Abraço

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  4. porra...deves ter uma fábrica de franco-belgas... XD

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  5. Na realidade, as capas e os conteúdos que apresentas aqui vão sendo mais sugestivas.

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  6. Estou traumatizado com historias passadas nessa época. :(

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  7. Grande Bongop! Bela review e muito bem escolhido, sim senhor!
    Respondendo por ti (se me permites) ao Verbal: este é um "one-shot" e é um dos poucos álbuns editados em Portugal da série "Studio(A Suivre)". A "Studio(A Suivre)" editava em álbum as melhores histórias que eram originalmente publicadas na revista "(A Suivre)". Infelizmente, em Português vimos poucas (não vimos uma das melhores séries, por exemplo, "Diários do Oriente"). Eram originalmente editadas em "capa-mole".
    Este primou exactamente por nos dar uma visão "do outro lado da guerra" (neste caso, pós guerra). O argumento é muito bom e o desenho também (faz lembrar o estilo de Boucq). A balonagem dos textos em Português é "estranha", pois a tradução para Português fez encurtar o preenchimento dos mesmos; no entanto, a caligrafia foi mantida.

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  8. Estava a falar acerca da arte só, sem contar com a história e isso...
    Quanto darias só à arte.

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  9. Verbal
    O refem já te respondeu! É sim um "One-Shot", e eu penso que a arte é bastante boa!
    Abraço

    Crucios
    Não tenho uma fábrica, visito assiduamente o Miau! ehehehhe
    Abraço

    Kitt
    Traumatizado porquê?
    Abraço

    Refem
    Gostaste do livro? Eu também, é diferente e sem complexos!
    Abraço

    Radjack
    Só pela arte dava 8 ou 8,5.
    Abraço

    Jota
    Tu és um tarado e pronto !
    eheheh
    Abraço

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  10. Este é sempre um tema interessante e é também bom ver o outro lado como dizes.
    Gostei acredito que tenha sido uma leitura pesada.
    Não me posso esquecer deste fiquei mesmo interessado.
    Abraço

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  11. "A história é escrita pelos vencedores..."

    Já não me recordo de onde ouvi esta frase, mas eu sempre gostei de ler sobre a outra versão da história, a do lado que perdeu...
    Não porque acredite que seja mais verdadeira que a versão oficial mas porque a verdade deve estar algures no meio das 2 versões.
    Dito isto, claro que este álbum é interessante para mim e já está adicionado à lista a comprar. :D

    Abraço. :)

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  12. Bem, inocente a rapariga deve ter sido, mas não na altura em que é retratada no livro...

    A balonagem está horrível (para tal me ter chamado a atenção, imaginem a bodega que não é).

    De-resto... é muita história (lapso temporal) para pouco livro.

    beijo d'enxofre

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  13. pela capa e pranchas que mostras-te,e também uns poucos pontos da historia a personagem faz lembrar Annemarie Schwarzenbach,ambas quase se confundem com um rapaz, andavam a fugir(esta da depressão e da morfina), e eram lésbicas, mas quanto as ideologias parecem ser completamente opostas.
    se vir por ai a bd não vou hesitar a comprar

    http://www.youtube.com/watch?v=gZkx8XTHWc0&feature=channel_page

    abraço

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  14. Ah, A Inocente é um belo BD. Já vendi alguns exemplares, mas nunca cheguei a ler (apenas dei umas folheadas). Vou ver se dessa vez dá para separar um pra mim.

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  15. [Off Topic] Nuno, realmente não sei explicar por que o Otoniel não entra em contato contigo. Comigo ele demora um pouco, mas responde. Se eu morasse mais perto dele, dava uns puxões de orelha. Vou fazer assim, pedirei a ele um exemplar de Encantarias e lhe enviarei junto com a Brado Retumbante # 5(revista do pessoal daqui da minha terra). Acho que somente dessa forma pra você conseguir ler.

    Um abraço,
    Milena

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  16. looT
    A leitura não é assim tão pesada, é apenas o retracto menos visto de uma época.

    OCP
    Acredito que se tenha passado bem pior do que mostra no livro. Nós nunca nos lembramos que os Aliados e os Soviéticos invadiram a Alemanha, ainda por cima sedentos de vingança...

    Diabba
    É um livro no máximo com 70 páginas, logo a profundidade não pode ser a mesma de um livro "de letras" com 400 páginas... a balonagem não está nada famosa não...

    Milena
    Sim é uma bela HQ :)
    Quanto às Encantarias, eu ficava muito agradecido. Eu sei que houve muitas pessoas interessadas nesse livro no forum da Central Comics, foi aí que tive conhecimento do livro. Obrigado pela resposta!
    :)

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