quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O Azul é uma cor Quente







"Azul escuro
Azul azure
Azul marinho
Azul indigo
Azul cyan
Azul mar
O azul tornou-se uma cor quente
Amo-te Emma, tu és o ser da minha vida"

(Retirado do diário de Clémentine)

Que é que se pode dizer… mais uma pérola que saiu por alturas do monolítico e mofento Amadora BD!

Esta foi mais uma obra de qualidade superior publicada em português pela editora Arte de Autor, que continua a construir o seu muito bom catálogo de BD devagar, mas com bastante predicado.

Desta vez temos mais um Romance Gráfico e à semelhança de Fun Home de Allison Bechdel, as personagens giram à volta do mundo homossexual.

O Azul é uma Cor Quente (Le Bleu est une Couleur Chaud no original) foi escrito, desenhado e pintado por Julie Maroh, ocupando-lhe 5 anos da sua vida, iniciando esta obra aos 19 anos. Foi publicado em 2010 pela Glénat, sendo posteriormente traduzido para seis Línguas (para além do francês). Conquistou vários prémios, com relevância para o Prix du Public Fnac-SNCF no Festival d'Angoulême 2011.
Como referi no início, em Portugal foi a Arte de Autor que o publicou em 2016.

Neste livro a sexualidade, amizade, identidade, família e amor, são eficazmente explorados pela autora, por vezes com bastante intensidade. Aliás este livro começa logo intensamente porque logo na primeira páginas descobrimos que uma das protagonistas está morta. Isto é uma informação básica, pois a acção desenrola-se toda a partir do diário de Clémentine, lido por Emma.

O diário de Clém inicia-se de uma forma ingénua própria de uma adolescente ainda à procura de rumo na vida, as suas amizades, o espaço escolar, os rapazes…
Sim, neste o caso, o rapaz. E logo no primeiro encontro com esse rapaz existe um momento em que Clém no meio do cinzento vislumbra uma cabeleira azul. Momento marcante da vida futura, que vai provocar confusão na cabeça da adolescente, que vai entrar nos sonhos dela de uma maneira sexualmente confusa.
É aqui que começa uma bela história de amor.

O status social manda que Clém tenha um namorado, e ela tem. Mas no fundo não é isso que quer. Debate-se como uma adolescente se pode debater na descoberta da sexualidade, a confusão é bem patente, e aumentada por um beijo de uma amiga.

Os conflitos na cabeça de Clém provocam-lhe um humor conturbado, sobretudo depois que um colega homossexual a convida para uma saída nocturna a bares gay.
E aqui pela segunda vez encontra Emma, com os seus incontornáveis cabelos azuis.

Os encontros passem de fugazes a habituais, em segredo da família e da namorada de Emma. E Clém vai crescendo, amadurecendo, sabendo cada vez mais aquilo que quer. O mundo é cinzento, com salpicos de cores esbatidas… menos uma. O Azul. O Azul passa a ser uma cor quente para Clém.

E com o amadurecimento vêm as certezas. Ela quer apenas amar Emma, e como esta diz à mãe de Clém, sela fosse um rapaz Clém ia amá-la na mesma.

O livro prolonga-se por mais 10 anos na vida destas duas mulheres, mostrando a luta para manter a relação acesa. Clém apesar de amar Emma nunca ficou completamente convencida da sua homossexualidade, sempre foi permeável à influência da sociedade, ao contrário de Emma. Isto acaba por provocar stress na sua relação.

Tudo isto sempre acaba por ficar ampliado pela rejeição dos pais, e da sociedade na sua generalidade. Extrapolando para nós leitores…
Digam-me quantos de vocês que politicamente aceitam a homossexualidade, mas no vosso meio de amigos gozam com os ditos homossexuais? Eu já o fiz. Quantos de vocês dizem que eles, homossexuais, não devem ser penalizados na sociedade, que têm os mesmo direitos, mas se um deles for um homem ou mulher de sucesso ou vos passar à frente no trabalho, vocês sentem um misto de inveja/raiva surda devido a essa situação? Quantos de vocês que para a sociedade são pessoas muito abertas, se um dos vossos filhos for homossexual acham que foi o pior castigos de que podiam ser vítimas…

…sim com o tempo eu fui melhorando, e na realidade neste momento consigo criar alguma empatia com este tipo de problemas e situações. Não é fácil para um homossexual navegar socialmente sem problemas. A autora foca este tipo de problemas de uma maneira que eu diria natural, sem o stress da luta pelos direitos etc. Não é que não sejam referidos, mas não são o cerne, estão apenas subjacentes. O cerne é mesmo o amor. Só apenas isso com todos os seus problemas.

Julie Maroh joga muito bem com os pontos fortes e fracos das suas protagonistas, conseguindo um excelente romance, nunca deixando a narrativa cair no marasmo. No que respeito à parte gráfica eu adorei. O desenho é muito bom, muito expressivo. As personagens estão muito bem caracterizadas sendo quase certo que Maroh de certeza foi buscar os olhos de Clém, e sobretudo de Emma, ao registo Manga aumentando-os ligeiramente para aumentar a expressão destas duas personagens.

A cor básica são tons de cinzento acastanhado tipo sépia, salpicados em algumas páginas por verdes, laranjas e azuis esbatidos, ou seja basicamente tudo muito suave e frio ao mesmo tempo, excepto uma coisa: o cabelo azul de Emma. Adorei!

A narrativa é contada pela voz de Clém, mas na realidade quem lê, lembra e sente, é Emma. Uma forma dolorosa de contar uma história que não pode acabar bem, como eu disse atrás, Clém está morta antes do livro começar…

Sim é verdade… esta BD foi adaptada a um filme. Não falei nisto de propósito. O filme chama-se “A Vida de Adèle” e ganhou um prémio no festival de Cannes. Não falei porque achei que o mau título do filme estragou a excelente capa que esta edição deveria ter, visto que segundo apurei com a editora foram obrigados a colocar na capa a menção ao filme. Afff…

O Leituras de BD recomenda vivamente este livro. Mais uma excelente edição da BD em Portugal.

Boas leituras




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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Wallpaper: Superman



“Dreams save us. Dreams Lift us up and transport us. And on my soul, I swear… until my dream of a world where dignity, honor and justice becomes the reality we all share, I’ll never stop fighting.”

                                                                                                                            - Superman Action Comics 775




Boas leituras




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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Harrow County Vol.1: Assombrações sem Fim



Houve vários livros que saíram no último Amadora BD e que deram um pouco de luz a este festival que prima pela escuridão de ideias.
Um deles foi Harrow County de Cullen Bunn (argumento) e Tyler Crook (arte), publicado em português pela G.Floy.

A G.Floy tem primado por oferecer ao público português obras de bastante interesse em formato de Banda Desenhada para leitores mais adultos, e este primeiro volume de Harrow County não desapontou.

Bunn é um escritor norte-americano que tem trabalhado bastante para a indústria de comics, tanto na vertente mainstream (Uncanny X-Men e Deadpool) como em trabalhos de autor (The Damned e The Sixth Gun), começou a escrever este primeiro capítulo de Harrow County em prosa (Countless Haints no original). Mais tarde seria reformulada para Banda Desenhada em conjunto com Crook, resultando no livro que tenho nas mãos.

Tyler Crook tem trabalhado em títulos como B.P.R.D., Witchfinder, Badblood, ou seja, essencialmente para a editora Dark Horse. A sua obra de saída depois de muitos anos a trabalhar para a indústria dos vídeo-jogos foi Petrograd editado pela Oni Press . Para já este é o artista de serviço de Harrow County.

Harrow County começou a sua publicação em 2015 como revista mensal indo já na revista #20 (Janeiro deste ano) e quatro compilações.

Eu não gosto de inserir este tipo de história no género “terror”, porque embora o ambiente deste livro se propicie a pessoas mais sensíveis a terem algumas tremuras, quem gosta mesmo de Banda Desenhada de terror apenas se sente cómoda a ler este tipo de livros. Não se pode comparar a um Uzumaki.
Assim gosto mais de chamar a este tipo de BD “Fantasia Negra”.

E dentro desta “Fantasia Negra” adorei este Harrow County! Uma história com força, que agarra o leitor, e logo no início com uma dança macabra em que aldeões trespassam, queimam e enforcam uma bruxa. Não podia começar melhor para quem gosta deste género!
O argumento é sólido, com um ritmo bem adequado a cada momento chave da história, com Bunn a tecer a teia de eventos numa pequena e isolada povoação do Sul dos EUA, e claro, não há nada como o isolamento para tornar uma história bem tensa.

Mas a parte negra precisa do seu contraponto, e este é a arte de Crook! Belíssimas aguarelas tornam a história bem equilibrada aos olhos do leitor, criam o contraste e sobretudo dão “textura” ao argumento.

Esta é a história de Emmy, a filha de um agricultor, e quase a fazer 18 anos. Emmy desde cedo que se tem debatido com sensações espectrais, pesadelos, visualizações de um passado horrível e fantástico que não conhece. Ela vai entrar nesse mundo quase sem preparação…

Não quero falar muito do argumento e personagens, visto não querer estragar nenhuma surpresa a algum leitor que decida ler o livro depois de ter lido este meu apontamento.


















O LBD recomenda Harrow County sem reservas.


Boas leituras



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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Hoje estou assim... como o Corto



Tem dias que uma pessoa só apetece olhar em paralelo infinito, hoje é um desses dias.
Espreguiçar, recolher, olhar por aí... e espreguiçar outra vez!









Pode ser que logo fique mais assim! :D





Boas leituras




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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Carlos Alberto dos Santos (1933 - 2016)



A abertura deste ano do Leituras de BD vai ser em modo de homenagem.
Carlos Alberto dos Santos foi um homem que aprendi a respeitar muito. Gostaria de ter estado mais vezes com ele, infelizmente foram poucas as vezes, mas ficou-me na memória o seu estúdio de pintura repleto de grandes pinturas, elmos e gládios romanos, falcatas lusitanas e muitos outros artigos históricos. Era um estúdio que cheirava a História, ou não fosse esse um dos temas preferidos deste pintor.
Neste post vou recuperar parte de um texto que já tinha escrito sobre ele.

Carlos Alberto nasceu em 1933 e começou a trabalhar em ilustração por volta de 1947. Em 1970 realizou a sua primeira exposição, com trabalhos a óleo em que os motivos históricos eram o centro dos seus trabalhos. Infelizmente quase nenhum dos seus trabalhos se encontra em Portugal, sendo a maior parte possuída por colecionadores particulares estrangeiros, tanto europeus como norte-americanos.
Para além da pintura fez Banda Desenhada e ilustrou algumas coleções de cromos!

Uma parceria importante aconteceu em Agosto de 1949, quando aos 16 anos publicou a sua primeira história em BD (História Maravilhosa de João dos Mares), no primeiro número da mítica revista portuguesa Mundo Aventuras, o que é um marco pois também foi a primeira publicação da editora Agência Portuguesa de Revistas (APR).

Trabalhou também com outras editoras da época como a Camarada e com a Editorial Dois Continentes, mas foi com a APR que teve uma ligação mais estreita. Quase todas as publicações desta revista contiveram capas, ilustrações ou bandas desenhadas deste artista.

Ainda para o Mundo de Aventuras, criou uma biografia ilustrada chamada "Camões, Sua Vida Aventurosa", publicada em 1972 no último volume da série Álbum Especial, e esta história também existe em BD!
Os seus últimos trabalhos importantes de BD e ilustração foram feitos para a Editora ASA
Mas foi na Portugal Press de, e com, Roussado Pinto (Ross Pynn) que criou um dos ícones portugueses dos anos 70: Zakarella!

A revista Zakarella assentava nas histórias de duas míticas publicações norte-americanas, a Eerie e a Creepy. As histórias em Banda Desenhada destas duas revistas, servidas por excelentes autores, povoavam o interior da revista Zakarella. Mas quem dava o nome a esta revista mítica portuguesa era mesmo a heroína criada por Carlos Alberto dos Santos com histórias ilustradas em que Ross Pynn (Roussado Pinto) fazia a parte dos textos.

Carlos Alberto dos Santos, em conversa comigo, disse que o esquema criativo era um pouco ao contrário do normal… ele, Carlos Alberto, fazia uma ilustração da Zakarella e Roussado Pinto fazia a história com base nessas mesmas ilustrações. Carlos Alberto disse que essas ilustrações eram, à data, o “libertar dos seus demónios interiores” e que hoje seria incapaz de reproduzir algo da Zakarella.




Este grande artistas, infelizmente, começou a sofrer muito da vista obrigando-o a abandonar trabalhos mais minuciosos, como por exemplo BD e pequena ilustração, sendo a pintura em grandes telas o escape para a sua irremediável falta de vista.
Mas continuou sempre ligado à arte, nunca desistindo de pintar sobre encomenda, os seus trabalhos são muitos, e superiormente admirados por todo o mundo… infelizmente em Portugal é quase um desconhecido!
Uma nota sobre como a vida dá voltas… nunca eu pensei com 8 anos de idade ao fazer a colecção de cromos “Camões” (124 guaches) que passados 40 anos iria escrever sobre este artista!

Exposições importantes de Carlos Alberto dos Santos:

  • National Society for Fine Arts, Lisbon, 1970, 1972, 1974, 1976
  • Faculty Club of the MIT, Boston, 1984
  • Casa da Saudade Library, New Bedford, 1986
  • Cambridge Public Library, Cambridge (USA), 1986











É meu credo que o Homem vive para além da morte. Vive na memória dos outros homens, e vive mais tempo quanto maior for excelência da marca que deixou em vida. Carlos Alberto continua a viver através da sua arte. Faleceu em Novembro do ano passado, mas vai ficar na minha memória enquanto eu for vivo.

Um outro post que fiz sobre uma bela obra deste autor está neste link:

Camões: Sua Vida Aventurosa









Boas leituras



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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Cinema: Doutor Estranho
(Doctor Strange)



Fui ver este filme a semana passada, e levava comigo um certo hype para ser honesto.
Doutor Estranho é mais um filme do universo cinemático da Marvel, o último que saiu, e que conta a origem do Mago Supremo.

Desde já digo que não caio nessas ratoeiras de vestir a camisola da DC ou da Marvel, sou adepto dos dois universos e sinceramente essa coisa do Sporting vs Benfica dos comics não me assiste.

A Marvel tem construído um bom universo para o cinema, mas contabilizando assim de cabeça só acho que sejam garantidamente bons 4 ou 5 filmes. O resto é bastante mediano, abusando em efeitos especiais para compensar argumentos mais fracos, e ainda existe um que eu considero mesmo fraco.

Como é lógico dificilmente se pode ter um pleno de filmes fantásticos, mas os filmes medianos também dão corpo a este universo tornando-o coerente e ligado.

Este Doutor Estranho deixou-me um pouco sem saber o que pensar mal saí do cinema. Eu estava à espera de uma coisa, e saiu-me outra. Estava à espera de um filme mais trabalhado na ascensão de Stephen Vincent Strange a Mago, com os protagonistas desta fase inicial mais bem aprofundados, e com o Mordo como o vilão deste filme.

Pois, não foi assim. Scott Derrickson, que escreveu e dirigiu este filme, colocou a carne toda no assador e retirou Mordo da galeria dos vilões neste filme (talvez já a pensar no próximo), fazendo com que o supremo vilão fosse o próprio Dormammu, muito bem secundado por Kaecilius e seus acólitos.
Agora a frio e pensando bem no filme, acabo por o colocar dentro do lote dos bons filmes da Marvel.

As personagens principais e actores:
  • Benedict Cumberbatch - Dr. Stephen Strange
  • Chiwetel Ejiofor - Mordo
  • Rachel McAdams - Christine Palmer
  • Benedict Wong - Wong
  • Mads Mikkelsen - Kaecilius
  • Tilda Swinton - The Ancient One 


Strange está bem trabalhado na sua arrogância inicial e posterior aprendizagem, temos um excelente Ancient One, um Mordo para já diferente do seu homólogo dos comics e um Kaecilius que me surpreendeu como vilão.
Uma das coisas que falta nos filmes actuais na sua generalidade, e nos de super-heróis em particular, é de um vilão a sério. Malvado. Com um aspecto tenebroso. Kaecilius conseguiu isso. Parabéns!
A Anciã ficou espectacular, sempre que entra numa cena sente-se a sua presença, é ela que ocupa sempre o espaço central. Tilda Swinton foi uma excelente escolha!
Uma palavra especial para a aparência de Dormammu… fiquei surpreendido! Está excelente e não era trabalho fácil!

Do argumento não vou falar muito mais do que já referi, visto que o filme ainda está em exibição. Mas uma das coisas que tenho a apontar é que agora todas as personagens sabem dizer piadolas! O Strange quase fica quase igual ao Tony Stark, que começou a senda das piadas, Cap. América, Thor, Hulk, enfim, todos são personagens engraçadas e cómicas... menos, está bem? Começa a não ter piada nenhuma!


Da parte dos efeitos, bom, foi do melhor que vi num filme de super-heróis, a lembrar o Inception mas mais pormenorizado. Acho que é um dos poucos filmes que vale a pena ver em 3D.

Recomendo o filme! Fiquem com três clips do filme:










Boas leituras





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sábado, 5 de novembro de 2016

Anima: Druuna - As Origens



Paolo Eleuteri Serpieri é um dos meus “Deuses” da BD. Posto isto toda a gente sabe que este post vai ser tudo menos isento. :)
Em jeito de aviso, este livro é apenas para adultos e não para os pequerruchos rubicundos, vulgarmente chamados de crianças.

A editora Arte de Autor apostou em Serpieri e na sua personagem Druuna no último trabalho deste artista até à data: Anima: Druuna – As Origens. Está à venda no Amadora BD no stand da editora.
Serpieri já com uma idade generosa (68 anos) presenteou-nos com mais um livro que mais uma vez consegue o patamar "delírio para os olhos".

Druuna foi apresentada ao mundo em 1985 no volume 1 da série (Morbus Gravis), terminando em 2003 no volume 8 (Clone), este novo livro vem como um volume 0, ou seja, uma espécie de prequela. De notar que os dois primeiros livros da série foram editados em português pela Meribérica em modo... horrível. Má cor, mau papel, formato estranho. Entretanto a editora faliu e acabou-se a série Druuna em português.

Os livros da série são neste momento os seguintes:
  • Anima - As Origens
  • Morbus Gravis
  • Druuna
  • Creatura
  • Carnivora
  • Mandragora
  • Aphrodisia
  • O Planeta Esquecido
  • Clone
Foi um retumbante sucesso quando apareceu em França conseguindo um tiragem de mais de100 mil cópias para o álbum Druuna, o segundo da série.

Se quiserem saber sobre a série e a personagem podem consultar os seguintes links do LBD:
Druuna
Druuna: Creatura
Druuna: Carnivora
Druuna: Mandragore
Druuna: Aphrodisia
Ilustração: Druuna X2
Ilustração: Druuna

Posso adiantar para quem não conhece que é uma série erótica-pornográfica de ficção-científica pós-apocalíptica com muito terror e mutações à mistura.

Voltando a Anima.
Uma história sem narrador nem balões, onde a expressividade e qualidade da arte e dos layouts de Serpieri fazem a história fluir perfeitamente.
A arte é brutal, é lindacom painéis gigantes de pormenor (alguns lembrando Moebius) e onde conseguimos já ter os avatares da série presentes, ou seja: uma mulher perfeita, tentativa de violação, seres mutantes, humor, e o grande sentido humano de Druuna. Para além disto, serpieri mais uma vez acaba por ser personagem no livro, embora desta vez em forma de caricatura numa homenagem à série.

A história propriamente carrega alguns simbolismos. O lugar onde esta proto-Druuna vive é mágico, e o paraíso. Inclusivamente tem uma macieira cujos ramos são serpentes. Não possui asas para descer à Terra, mas um grande pássaro está seu serviço para descer a uma Terra linda, mas por onde o mal se esconde das mais variadas e piores maneiras. Depois temos a "passagem" de uma personagem loura para morena que todos conhecem através de livros e do próprio Serpieri, acabando na mudança total através de um espelho.

Este livro contém mais uma história, o "Talvez" primeiro ensaio feito para a série original, uma curta de 1981 de 7 páginas que se manteve inédita em vários países curiosamente um dos quais foi a França.... :D


Para além disso, temos muitos, muitos sketchs de Serpieri para este livro. Vale a pena ver como ele consegue ser tão expressivo apenas com riscos. Sim, uma salganhada de riscos que consegue prender o leitor!

Posto isto, só me resta dizer que o LBD recomenda este livro. :)
(E a série também)


Boas leituras



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Jessica Jones - Alias Vol.2



Alias (Jessica Jones) foi a primeira série da linha MAX da Marvel, a sua vertente para adultos, e pelos vistos foi a primeira vez também que logo na primeira página se lê um “Foda-se” num livro da Marvel (logo para abrir na primeira página). A linguagem é para adultos, o sexo é apenas implícito.
A G.floy está a editar a série (quatro volumes) e neste Amadora BD lança mais um volume, o segundo livro da série.

Jessica Jones é uma personagem de segunda linha da Marvel, que teve alguma preponderância quando começaram a ser publicados os New Avengers e os eventos Guerra Civil e Invasão Secreta, estando casada na altura com Lucas Cage. Alias é anterior a isso.

Inicialmente Jessica foi criada por Stan Lee e Steve Ditko, na revista Amazing Spider-Man #4 em 1963. Ganha os seus poderes num acidente de viação entre o carro que levava a sua família e um camião com produtos tóxicos. A sua família falece no acidente e Jessica fica em estado coma até acordar devido a uma erupção de energia no primeiro encontro entre os FF4 e Galactus. Esta situação fez despoletar os seus poderes.
É enviada para um orfanato, sendo adoptada pela família Jones.
Teve vários Alias, como Jewel, Power Woman ou Knightress.

Foi recriada por Bendis e Gaydos exactamente com este Alias, tendo abandonado os uniformes de super-herói, e trabalhando como detective particular. E é com esta profissão que Bendis faz navegar Jessica Jones ao longo dos quatro volumes da série.

O argumento de Bendis como história até agora tem sido bastante bom, mas tem falta de alguma acção. A maior parte das cenas têm sido no interior, e aqui Bendis abusa bastante das “cabeças falantes”

No que respeita a Gaydos, conheci este desenhador na série Snake Woman, e a minha opinião é a mesma. Não é propriamente o meu tipo de arte, mas vai bem com histórias deste género. Agora, acho que abusou da reutilização de alguns painéis, embora de exteriores eu ainda acho normal, agora em expressões faciais… é preguiça! E não ajuda nada às “cabeças falantes” de Bendias existirem expressões iguais.

Neste livro Jessica vai tratar de um caso de uma rapariga desaparecida, numa cidade interior em que o povo é bastante religioso, e preconceituoso com a diferença. Depois temos um encontro com o Ant Man que não deixa de ser um arco bem disposto numa série noir


A minha opinião? Gosto bastante.
Para quem gosta de crime noir, com linguagem “vernácula” este série não vai desiludir.

Já agora, a série da Netflix foi baseada nesta recriação da personagem por Brian Michael Bendis.

"You shoot that gun at me... I will pull that bullet out of my ruined four hundred dollar leather jacket...and I will shove it up your ass with my pinky finger. And which one of us do you think that will hurt more?

- Jessica Jones quotes

Fiquem com o press release da G.Floy:

ALIAS volume 2
Argumento de BRIAN MICHAEL BENDIS e arte de MICHAEL GAYDOS

TUDO O QUE ELA QUERIA, ERA TER SIDO UMA SUPER-HEROÍNA.

As aventuras da Vingadora que se tornou detective privada continuam em mais dois casos. Jessica Jones viaja para uma pequena cidade do interior, uma cidade cheia de preconceitos e racismo, para investigar a desaparição de uma adolescente que todos acreditam ser uma mutante... mas será mesmo? E, logo depois, a nossa investigadora azarada vai sair num encontro com... o Homem-Formiga?!

Continuam as aventuras da heroína de banda desenhada da Marvel que deu origem à série de TV
da NETFLIX com o mesmo nome! Alias volume 2 apresenta-nos mais dois casos da vida da super-heroína que abandonou os Vingadores para se tornar detective. E inclui também um dos mais aclamados números de sempre da série, e considerado uma das histórias curtas mais importantes da década em que saiu, o número 10 da série:

J. Jonah Jameson contrata Jessica Jones para descobrir a identidade secreta do Homem-Aranha, usando as suas conexões com outros super-heróis! Pela primeira vez ouvimos falar do passado de Jessica como heroína, mas Jessica engendra um plano... diabólico. Contada de modo diferente do habitual, em painéis experimentais de uma página, pintados a aguarela, e focando o diálogo rápido, divertido e feroz que era a marca de Bendis na altura, como se estivéssemos a ver um ecrã de TV, este história curta foi escolhida pela revista Wizard como um dos 100 melhores números de sempre dos comics.



Inclui um extenso caderno de esboços e arte de DAVID MACK, o criador das capas da série

ALIAS volume 2
Brian Michael bendis e Michael Gaydos
Reúne os #10 a #15 da série original de ALIAS
Álbum, formato comic, 152 pgs a cores, capa dura. PVP: 12,99€
ISBN: 978-84-16510-22-1


Boas leituras





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domingo, 23 de outubro de 2016

27º Amadora BD (Parte I)



O Amadora BD começou hoje. Ia perdendo a data com tão pouca informação divulgada.
Algumas fotos por hoje.
Opinião?
Só no final…

Mas não me contenho... é impressão minha ou cada vez as exposições são menos, estão mais pequenas e com menos "quadros"?

E já agora, o que aconteceu à exposição do concurso de BD e Cartoon?




Esta foto e as duas acima pertencem à exposição de Marco Mendes




Infelizmente terei de racionar as fotos porque mais uma vez tive problemas com a segurança para tirar fotos. No próximo post explicarei melhor ;)


Boas leituras





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sábado, 22 de outubro de 2016

Lançamento Arte de Autor: As Aventuras de Philip e Francis
Vol.3 - SOS Meteorologia




As Aventuras de Philip e Francis irão ter o seu terceiro volume editado em português pela Arte de Autor.

Esta série tem a particularidade de os seus três volumes publicados terem sido editados por diferentes editoras:
  • As Aventuras de Philip e Francis Vol.1 - Ameaças ao Império - Editora Gradiva
  • As Aventuras de Philip e Francis Vol.2 - A Armadilha Maquiavélica - Editora ASA
É uma série criada por Veys (argumento) e Barral (desenhos) no ambiente de Blake & Mortimer, mas num registo cómico, ou satírico, se preferirem.
Fiquem com a nota de imprensa da Arte de Autor:

As Aventuras de Philip e Francis
T. 3 – SOS Meteorologia

O professor Mortimer está farto. Já não suporta ver os outros aproveitarem-se da sua lendária gentileza. Que o seu velho cúmplice Francis Blake se enfie em sua casa, ainda vá. Que Nasir, o seu fiel servidor, exija um aumento e o pagamento de horas extraordinárias, aceita-se. Que um bando de delinquentes, que diríamos saídos do filme Laranja Mecânica, o chateiem, admite-se. Mas quando Blake lhe chama “mole”, o seu sangue escocês começa a ferver: isto tem de mudar! De regresso a casa, Mortimer prepara um produto revolucionário que o vai transformar num malfeitor impiedoso e dominador...

Por Jove e por Horus! Mas o que é que aconteceu ao nosso velho amigo Mortimer? Não contente por se transformar fisicamente, qual doutor Jekyll, agora frequenta clubes de strip-tease, aterroriza Olrik e persegue a ambição de dominar o mundo?
Admirador do Estranho Caso do Dr. Jekyll e de Mr Hyde, o romance de Stevenson, o argumentista Pierre Veys é também um leitor assíduo de Jacobs, tal como Nicolas Barral que tem o prazer de reproduzir, nos mais infimos pormenores, o seu universo gráfico.


Título : T. 3 – SOS Meteorologia
Série : As Aventuras de Philip e Francis
Argumento: Pierre Veys
Desenho: Nicolas Barral
Número de Páginas: 56
Impressão: cores
Formato: 23,5 x 31 cm
Acabamento: edição cartonada
Data de edição: Outubro de 2016
ISBN: 978-989-99674-1-0
Preço : 14,50€


Pierre Veys
Nasceu em Cambrai, em 1959. Multiplicou experiências de escrita no café-teatro e no teatro (onde também é actor) e posteriormente na televisão antes de escrever histórias curtas para a revista semanal Spirou. É o argumentista de Igor et les monstres, de Space Mounties, de Maître détective e de Avatars. Escreve igualmente gags para Boulle et Bill.

Nicolas Barral
Nascido em 1966, começa a trabalhar na revista Fluide Glacial antes de desenhar Les Ailes de plomb (argumento de Gibelin). O seu encontro com Pierre Veys muda-lhe a vida: juntos, criam Baker Street, e depois Les Aventures de Philip et Francis. Em colaboração com o argumentista Tonino Benacquista, Barral assina os dois tomos de Dieu n’a pas réponse à tout, e depois Les Cobayes. Argumentista de Mon pépé est un fantôme (desenho de TaDuc), sucede também a Tardi retomando a personagem de Nestor Burma.





Boas leituras



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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Lançamento Arte de Autor: O Azul é uma Cor Quente




Este é o segundo de três livros que a editora Arte de Autor Vai lançar aproveitando o festival Amadora BD.

Quem viu o filme "A Vida de Adéle" já estará por dentro da história, visto que esse filme foi baseado neste Romance Gráfico.

Fiquem com a informação da editora:


O Azul é uma cor Quente

O Azul é uma cor quente”, tradução da obra “Le bleu est une couleur chaude”, é a primeira obra de Julie Maroh.
Uma história de amor que ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2013.

O livro conta-nos a história de Clementine, uma adolescente de 15 anos que, um dia se cruza na rua com um par de raparigas. Uma delas tem o cabelo pintado de azul e sorri-lhe. A partir desse preciso momento, tudo muda na vida de Clementine: a sua relação com os amigos na escola, a sua relação com a família, as suas prioridades... e sobretudo a sua sexualidade.

Através de textos do diário da protagonista, o leitor acompanha o primeiro encontro de Emma e Clementine que tentam amar-se apesar das dificuldades implícitas na visão da homossexualidade por parte da sociedade e dos próprios preconceitos de Clementine.
É difícil saber o que é o amor e que aspecto assume, mas o amor entre as duas caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas dessa mesma relação.

Para além de ser uma obra premiada (teve, entre outros o Prémio do Público do Festival Internacional de Angoulême), O Azul é uma cor Quente é a BD que inspirou o filme A Vida de Adéle, de Abdellatif Kechiche, o qual ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em 2013.

Esta novela gráfica, que se encontra editada em 15 línguas, incluindo o inglês, espanhol, alemão, italiano e holandês, e que pela sua sensibilidade se tornou um êxito mundial, não deixa ninguém indiferente.

Argumento e Desenho: Julie Maroh
Edição: Cartonada
Número de páginas: 160
Impressão: Cor
Formato: 21 x 28,5 cm
Data de Edição: Outubro de 2016
Editor em Portugal: Arte de Autor
ISBN: 978-989-99674-2-7
PVP: 19,95€


Julie Maroh
Originária do Norte de França, Julie Maroh formou-se em Banda Desenhada no Instituto Saint-Luc de Bruxelas e posteriormente em litografia na Royale Academia de Belas Artes. Publica o seu primeiro álbum “Le Bleu est Une Couleur Chaude” em 2010: trata-se de uma história sensível e comovente que se desenrola ao longo de 160 páginas, sobre o tema da homossexualidade feminina e da sua aceitação por parte da sociedade actual.

Julie Maroh publicou ainda uma outra novela gráfica “ Skandalon”, uma fábula sociológica incarnada por uma estrela de rock. Trabalha actualmente em vários outros livros, nomeadamente em "Corps Sonores", que será publicado em 2017.

Para saber mais consulte o site da autora em:

www.juliemaroh.com


Boas leituras




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